“No primeiro dia da semana, estávamos reunidos para a fração do pão.” (At 20, 7)

Comentando o Evangelho do dia 17 de abril deste ano (Jo 21,1-14) em Missa celebrada na Casa Santa Marta, no Vaticano, o Papa Francisco fez menção ao fato do discípulo amado reconhecer, após o milagre, que estava diante do Senhor. A partir disso o Papa fez uma reflexão a respeito da familiaridade com o Senhor, com os sacramentos, com o Povo de Deus. Permitam-me citar boa parte desta homilia: 

“Também nós, cristãos, no itinerário da nossa vida, estamos a caminho e devemos progredir na familiaridade com o Senhor. Diria que o Senhor está um pouco “à mão”, mas “à mão” porque caminha conosco, sabemos que é Ele. Ninguém lhe perguntou, “quem és?”: sabiam que era o Senhor. A familiaridade do cristão com o Senhor é diária. Sem dúvida, juntos comeram o peixe e o pão, e certamente falaram de muitos assuntos com naturalidade.

Esta familiaridade dos cristãos com o Senhor é sempre comunitária. Sim, é íntima, pessoal, mas em comunidade. Uma familiaridade sem comunidade, sem Pão, sem Igreja, sem povo, sem sacramentos, é perigosa. Pode-se tornar uma familiaridade - digamos - gnóstica, uma familiaridade só para mim, desligada do povo de Deus. A familiaridade dos apóstolos com o Senhor foi sempre comunitária, sempre à mesa, um sinal da comunidade. Sempre com o Sacramento, com o Pão.


Digo isto porque alguém me fez refletir sobre o perigo deste momento que vivemos, desta pandemia, que até nos fez comungar religiosamente através da mídia, dos meios de comunicação social, inclusive nesta Missa, somos todos comunicantes, espiritualmente unidos, mas não juntos. Os presentes são poucos. Mas há um grande povo: estamos unidos, mas não estamos juntos. Também hoje tendes o Sacramento, a Eucaristia, mas as pessoas que estão unidas a nós, só têm a Comunhão espiritual. E esta não é a Igreja: é a Igreja de uma situação difícil, que o Senhor permite, mas o ideal de Igreja é estar sempre com o povo e com os sacramentos. Sempre!


Antes da Páscoa, quando saiu a notícia de que eu iria celebrar a Páscoa na praça de São Pedro vazia, um bispo - um bom bispo - escreveu-me e repreendeu-me. “Mas como? São Pedro é tão grande, por que não permitir que entrem pelo menos 30 pessoas, para que se possa ver o povo? Não haverá perigo...”. Pensei: “Mas, o que ele pensa para me dizer isto?. Não entendi imediatamente. Mas dado que ele é um bom bispo, muito próximo do povo, queria dizer-me algo. Quando o encontrar, vou perguntar-lhe”. Depois compreendi. Ele dizia-me: “Cuidado para não viralizar a Igreja, para não viralizar os sacramentos, para não viralizar o povo de Deus. A Igreja, os sacramentos, o povo de Deus são concretos”. É verdade que, neste momento, temos que nos familiarizar com o Senhor desta forma, mas para sair do túnel, não para ficar lá. E esta é a familiaridade dos apóstolos: não agnóstica, não viralizada, não egoísta para cada um deles, mas uma familiaridade concreta, no povo. Familiaridade com o Senhor na vida quotidiana, familiaridade com o Senhor nos sacramentos, no meio do povo de Deus. Eles percorreram um caminho de maturidade na familiaridade com o Senhor: também nós aprendamos a fazê-lo. Desde o primeiro momento, compreenderam que esta familiaridade era diferente da que imaginavam, e chegaram a esta conclusão. Sabiam que era o Senhor, compartilhavam tudo: a comunidade, os sacramentos, o Senhor, a paz, a festa.


Que o Senhor nos ensine esta intimidade com Ele, esta familiaridade com Ele, mas na Igreja, com os sacramentos, com o povo fiel de Deus”1. 


Observação minha: a palavra “viralizar”, no contexto significa “virtualizar”, “tornar virtual”. Pois bem, nos encontramos diante de uma questão bastante discutida hoje, principalmente por causa da pandemia de Covid-19 que ainda assola o mundo: as “missas virtuais” ou transmissões por TV e via online das celebrações dos sacramentos e sacramentais. Não pretendo aqui responder às muitas perguntas de ordem teológica, pastoral, litúrgica ou outras que surgem em torno do assunto, mas apenas manifestar, como o Papa, uma preocupação. Apesar de reconhecer o valor do uso das mídias para a evangelização e da transmissão das missas em face da impossibilidade de muitas pessoas comparecerem às Igrejas por risco de contágio do novo coronavírus, eu me pergunto se não pode ocorrer uma certa acomodação por parte de pessoas que, podendo vir à Igreja e unir-se à comunidade de fé para as Celebrações Eucarísticas, preferem acompanhar tudo “virtualmente”. Sobre a importância das celebrações presenciais, o Papa deixa muito claro, afirmando a necessidade da familiaridade e proximidade com o Senhor na Eucaristia, na Comunidade de Fé, junto aos irmãos.

Continuo exortando a todos sobre os cuidados com a prevenção do contágio para si e para os demais, mas, ao mesmo tempo, gostaria de propor uma reflexão aos que não estão em grupos de risco e que frequentam tantos outros lugares como shoppings, encontros de amigos, feiras, mercados, agências bancárias, casas lotéricas, restaurantes etc., mas que acham que a permanência na Igreja por uma hora é mais perigosa do que os locais citados acima.

Tomemos cuidado com a saúde nossa e do nosso próximo, mas tomemos cuidado também com a nutrição da nossa fé e com a importância dos sacramentos para nossa vivência do Evangelho e para a salvação que almejamos. Os irmãos enfermos e os que correm o risco de desenvolver a forma grave da Covid-19 estão temporariamente dispensados do preceito dominical, mas se for possível participar das missas em dias de semana onde o número de pessoas é mais reduzido, será bom. E que não aconteça de pensarmos que após a pandemia continuamos dispensados do mandamento da Igreja que nos pede a participação na missa inteira aos domingos e dias santos, de forma consciente, ativa e frutuosa, como nos lembra o Concílio Vaticano II na Sacrossanctum Concilium cap. 1,11).

Que Deus, nosso Pai, e que Jesus, nosso Senhor, nos abençoe e proteja. E que Nossa Mãe Santíssima interceda por todos, especialmente os enfermos e os que cuidam deles. Um abraço fraterno, em Cristo,

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