Queridos irmãos e irmãs, a paz do Cristo Ressuscitado!

Entramos no mês de novembro e, nele, celebramos o DIA DE TODOS OS FIÉIS FALECIDOS, ou mais popularmente, dia de Finados (02/11). Como cristãos nós professamos no Credo niceno-constantinopolitano: “Espero a ressurreição dos mortos; e a vida do mundo que há de vir. Amém”. Esta comemoração dos fiéis falecidos nos ajuda a reavivar a fé na vida eterna e no que a mãe Igreja, baseada na Palavra de Deus e guiada pelo Espírito Santo, nos ensina a respeito dos novíssimos.

O novo Catecismo da Igreja Católica trata desse tema e das questões que a ele se ligam, como a ressurreição dos mortos, nos números 668-679 (sobre o artigo do Credo: “Donde virá julgar os vivos e os mortos”), 988-1014 (artigo; “Creio na ressurreição da carne”) e 1038-1050 (O juízo final e a esperança dos novos céus e nova terra).

A ordem em que os eventos relativos à nossa esperança na vida eterna acontecem é esta: vida terrena; morte física; imediato juízo particular; purgatório ou céu (visão beatífica); Parusia do Senhor, antecedida por um período de provação derradeira da Igreja; ressurreição de todos os mortos; Juízo universal; Reino definitivo de Deus e vida eterna para os salvos – novos céus e nova terra.

Como infelizmente há católicos que desconhecem o que a Igreja ensina acerca destes temas, talvez por conta de uma catequese que não foi suficientemente esclarecedora e, por causa disso, creem em ensinamentos que não são doutrina da Igreja, penso que seja esta uma boa ocasião para recordar alguns pontos importantes, entre eles o fato de que ao professarmos a fé na ressurreição nós excluímos a crença na reencarnação. Com base na Bíblia, que para nós é a Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo, a reencarnação não existe. Vejamos: lendo Dt 18,9-14 vemos que a prática da invocação dos mortos, bem como outras tantas práticas que eram realizadas pelos povos vizinhos a Israel são consideradas errôneas aos olhos de Deus. O Lv 20,6.27 chegava a declarar pena de morte para quem assim agisse (ver também Is 44,24-25). Saul, nos relata o Primeiro livro das Crônicas, foi punido pelo Senhor por evocar um espírito (cf. 1Cr 10,13-14). Tantas outras passagens que condenam tais práticas (espiritismo, horóscopo, magia, feitiçaria, quiromancia etc.) podem ser citadas no Antigo e no Novo Testamento: cf. Lc 19,26; Ex 22,18; Jr 29,8; Os 4,12; At 8, 9-11; 13, 4-12; 16,16-18.

A Palavra de Deus afirma que o homem não conhece o futuro (cf. Ecl 10,14) e, por isso mesmo, deve viver confiante na Providência divina que o guarda e o protege; deve viver pela fé.

A Bíblia diz categoricamente que ao homem está determinado morrer uma única vez (cf. Hb 9,27), portanto a reencarnação não existe. Caso existisse, a pessoa poderia morrer mais de uma vez e tornar a nascer em outro corpo, coisa que a Bíblia não diz. De fato, Jesus disse ao ladrão arrependido na cruz que naquele mesmo dia estaria com Ele no paraíso (cf. Lc 23,43). Todos, após esta vida, compareceremos perante o tribunal de Cristo (cf. 2Cor 5,10), e não voltaremos em outro corpo, mas ressuscitaremos com um corpo novo e glorioso semelhante ao de Jesus ressuscitado. Crer que é necessário reencarnar-se várias vezes para alcançar a luz ou o pleno desenvolvimento espiritual (a salvação) é o mesmo que afirmar que Cristo morreu à toa na cruz. No entanto, “o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado” (1Jo 1,7). Pode-se conferir também: 1Cor 15,12-19; Jo 5,28-29; Ap 5,12-13. O Deus misericordioso anunciado por Jesus Cristo é aquele que perdoa e salva. Ele não é um deus carrasco que pune o réu sem que este saiba o motivo da punição (reencarnações, sofrimentos, doenças e deformidades).

Os casos descritos como provas pelos que acreditam na reencarnação (fenômenos mediúnicos, psicografia etc.) são explicados pelo estudo sério da Parapsicologia, assim como o famoso “dejavu” (sensação de já ter visto ou estado num determinado lugar, com determinadas pessoas ou situações) é explicado pela Psicologia.

Em alguns escritos espíritas afirma-se que a Bíblia mostra a reencarnação quando Jesus diz que João Batista é o Elias que havia de vir (Mt 17,10-13, cf. Ml 4,5). Isto é um grave erro de interpretação do texto bíblico, pois Jesus afirmava que o espírito de Elias (espírito profético – obra do Espírito Santo e não a alma de Elias) estava em João Batista (ver, por ex., 2Rs 2,15 onde Eliseu recebe o espírito de Elias, sendo que este último não está morto, mas foi assunto ao céu). Além do mais, se João Batista fosse a reencarnação de Elias, por que este último aparece a Jesus na transfiguração (cf. Mt 17, 1-4) e não João?

Do mesmo modo, Jesus não se referia à reencarnação em Jo 3, 1-8 quando falava do “nascer de novo”, mas sim do nascimento para uma vida nova com Deus pelo batismo (cf. Rm 6, 1-11).

Nós cremos também na existência do PURGATÓRIO e na importância da ORAÇÃO PELOS MORTOS. O purgatório é um estado em que a pessoa, morta na amizade com Deus, se purifica de seus pecados para poder contemplar a Deus definitivamente (cf. 1Jo 3,2). Alguém poderia dizer: Cristo não é capaz de nos perdoar? – Claro que sim! Mas a Bíblia nos fala da necessidade de expiação (ou reparação) das faltas cometidas em vida. Além do mais é vontade de Cristo que trabalhemos pela nossa salvação (cf. Fl 2,12 e 1Cor 9,27). Neste trabalho, porém, nem sempre somos tão bons; então Deus nos concede esta etapa purificatória para alcançarmos a salvação plena. Este estágio purificador é motivo de esperança e não de tristeza, uma vez que se está a caminho da felicidade plena. A fé na existência do purgatório não seria possível se não crêssemos na imortalidade da alma, o que é atestado em Sb 3,1. A necessidade de expiação é atestada na Bíblia, veja-se, por exemplo: Nm 20,12; 2Sm 12,13-15; Dn 4,24; Tb 12,9; Jl 2,12; Lc 3,8; Mc 1,15; Lc 13,1-5; Lc 7, 47 (a pecadora é perdoada porque demonstrou muito amor).

Todo homem é pecador embora busque viver a santidade (cf. Ecl 7,20; 19,19; 1Jo 1,8; Rm 7,19-20) e somente o ser humano totalmente purificado pode comparecer diante de Deus (cf. Sl 15,1-3; 24,3-4; Is 35,8; Mt 5,8; 22,11-14; Lc 12,59; Hb 12,14). Por isso Deus, na sua misericórdia, nos dá a possibilidade de uma purificação póstuma dos resquícios do pecado, veja-se a respeito: 2Mac 12,42-46, que louva o gesto de Judas Macabeu oferecendo um sacrifício reparador em favor dos mortos em batalha; 1Pd 3,19-20 que fala de Cristo pregando aos espíritos que estavam em prisão, assim como em 1Pd 4,6 se diz que o Evangelho foi pregado também aos mortos. Outro texto muito interessante é o de Mt 12,32: “Se alguém disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; mas se disser contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro” – daí se deduz a possibilidade do perdão póstumo de alguns pecados. Paulo em 1Cor 3,10-16 fala de um fogo que é uma alusão ao estágio do purgatório, ideia a que alude também o livro da Sabedoria 3, 1-6. E quando em 2Tm 1,16-18 Paulo fala de Onesíforo pedindo misericórdia para ele no dia do juízo, possivelmente este estava já morto (cf. 2Tm 4,19). Outro texto intrigante é o de Lc 12,58-59 com paralelo em Mt 5,25-26, onde o Senhor fala simbolicamente de “pagar até o último centavo”.

Enfim, de posse desta fé na promessa de vida que Deus nos dá em Cristo Jesus, nós proclamamos ao mundo a vitória pascal de Cristo sobre o pecado e a morte ao rezarmos pelos nossos falecidos. Nós demonstramos nosso amor para com os que partiram na esperança de um dia estarmos todos unidos no Cristo na vida que não tem fim. Esta fé é o que nos consola e nos alimenta na esperança para que jamais desistamos de perseverar no bem, no caminho do Senhor. Esta é também a razão pela qual procuramos atender ao chamado que Ele nos faz à santidade. A FESTA DE TODOS OS SANTOS (01/11) nos recorda que este chamado é para todos!

É uma pena que a Festa de Todos os Santos e a Comemoração de todos os Fiéis Falecidos tenha, em muitos lares, sido substituídas por comemorações exóticas, alheias à nossa cultura brasileira e também à nossa fé cristã e tenham tomado conta do imaginário das pessoas e de nossas crianças, como é o caso do chamado “dia das bruxas” ou “halloween”.

Que tal se aproveitássemos o dia de todos os santos e de finados para, de maneira lúdica e criativa, encantar nossas crianças com a beleza e a riqueza de nossa fé, com a beleza e a riqueza da vida dos santos – muitos deles crianças e jovens – e também anunciarmos a eles a beleza da vida eterna? Eis aí um desafio instigante para as famílias cristãs!

Que Nossa Mãe Santíssima, a Imaculada Conceição, aurora da salvação, nos ajude a mantermos sempre viva a chama da fé na vida eterna, nossa esperança, que não decepciona (cf. Rm 5, 5), de modo que um dia estejamos também com ela na glória que não tem fim.

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo!
Um abraço fraterno a todos, com muitas bênçãos de Deus. 

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