“Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração (Lc 2,19)

Faz pouco tempo que celebramos o Natal do Senhor e em circunstâncias bem diferentes daquelas de 2019. A pandemia que nos pegou de surpresa nos primeiros meses de 2020 fez com que mudássemos muitos hábitos, provocou dor e sofrimento em muitos, ceifou vidas e trouxe também consequências econômicas no mundo inteiro, mas de modo especial nos países mais pobres. E foram os pobres os mais atingidos. Contudo, não perdemos a esperança e continuamos a confiar na bondade e misericórdia de Deus, que enviando seu Filho em nossa carne, mostrou seu amor para com a humanidade. Embora ainda haja muitos que estão distantes d'Ele, Ele, por sua vez, se faz próximo de todos. É esta verdade que não podemos deixar de anunciar e na qual nunca devemos deixar de crer: “Deus é amor!”

Ao mesmo tempo, queremos aprender com tudo isso para sermos mais humildes e reconhecer nossa fragilidade, nossa dependência do Criador e a importância daqueles que estão à nossa volta e de quem podemos precisar a qualquer momento: que a humildade vença o orgulho e a soberba; e a fé e a esperança vençam a descrença, o pessimismo e o medo. E por falar em humildade, recordemos que no primeiro dia do novo ano, nós católicos, celebramos a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.

A razão desta celebração é nos recordar que Aquele Menino que nos foi dado no Natal é Deus como o Pai, o Deus para quem nada é impossível (cf. Lc 1,37). Ela recorda também que Deus entrou em nossa história de um modo totalmente surpreendente, isto é, Se fez um de nós para que nós pudéssemos participar de Sua vida e de sua divindade. Esta celebração ocorre no dia em que rezamos pela paz no mundo, pois Aquele que nasce do ventre de Maria é o Príncipe da Paz. Contudo, esta paz é alcançada por aqueles que se deixam alcançar por Ele; por aqueles que se comprometem a ser construtores da paz. Portanto, que em 2021 nos empenhemos em construir a paz e a manifestar o amor de Deus para com todos. Quanto maior o número de pessoas que sofrem à nossa volta, maior é a oportunidade de exercitarmos a caridade, o amor e fazer-nos próximos – ações que constroem a paz!

Maria é mãe de Deus porque Jesus é Deus, Maria é mãe d'Aquele que é a cabeça da Igreja e, portanto, tornou-se mãe também dos membros do Corpo de Cristo, Mãe da Igreja. Como Mãe, como Nova Eva, Maria nos ensina a sermos generosos para com os planos de Deus, colaboradores na construção do Reino e a assumirmos o seguimento de Jesus até as últimas consequências.

Na ladainha que a Igreja lhe dedica há quatro invocações que gostaria de recordar, pois nos ajudam na situação em que nos encontramos atualmente.

Primeiro, “Salus infirmorum”, Saúde dos enfermos: Maria intercede pelos doentes e certamente por todos os que foram afetados pela pandemia que assola o mundo. Ela é também saúde dos enfermos porque nos trouxe Jesus, aquele que nos cura de todos os males, especialmente das consequências do pecado, cujos sinais vemos à nossa volta: injustiças, violência, fome, miséria, corrupção, morte e tantas outras coisas... Que nossa Mãe, saúde dos enfermos, interceda por este mundo e por esta humanidade tão necessitados de cura!

Segundo, “Janua Coeli”, Porta do Céu: por Maria se chega a Cristo e por Cristo ao Pai. Ela é a porta por meio da qual o céu veio até nós e, por isso, também deseja ser a porta que nos leva a Jesus, nossa vida e nosso céu! O mês de janeiro é o mês-porta do novo ano, por isso, Maria é lembrada já no primeiro dia para que, como Ela, ao longo do ano que se inicia, estejamos sempre disponíveis para que Deus faça em nós conforme a Sua Palavra!

Terceiro, “Consolatrix afflictorum”, Consolação dos aflitos: quantos não estiveram e não estão em aflição nestes tempos? Nela podemos encontrar a consolação do colo de Mãe, a consolação que Ela mostrou aos pastores e aos Magos em Belém: Jesus, aquele que nos convida a ir até Ele quando estamos carregados e fatigados sob o peso de nossos fardos (cf. Mt 11,29). Ela, que certamente teve grande consolação ao testemunhar seu Filho ressuscitado depois de tanto sofrimento, interceda para que também nós encontremos alegria após as provações e tribulações!

Quarto, “Regina pacis”, Rainha da Paz: como já disse no início desta reflexão, devemos ser obreiros da paz. As guerras e conflitos que surgem entre os seres humanos não vêm da vontade de Deus, mas são consequências de nossos egoísmos, de nossos pecados e injustiças. Que a Rainha da paz interceda por nós para que alcancemos a verdadeira conversão do coração que nos leva a querer o que Deus quer: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele.” (Jo 16-17).

Que o Senhor nos conceda, neste novo ano de 2021, a graça de nunca perdermos a esperança, de sermos portadores de paz, de consolação e de saúde para nossos irmãos e irmãs e também – por que não? – sermos portas por onde as pessoas possam entrar e conhecer o Salvador que, nascendo do ventre de Maria, quis tornar-nos todos filhos de Deus!

Um abençoado ano novo, com muita fé, esperança, caridade e saúde para todos!
Em Cristo, 

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