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A CRIAÇÃO DA PARÓQUIA E O BAIRRO DA PENHA

No decorrer do século XVIII, o povoado da Penha de França foi se consolidando economicamente e se integrando à vida da cidade de São Paulo. Em 1725 já estava construída a estrada que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro, então a principal cidade do país, e que passava pela colina da Penha.

Ao aproximar-se o final do século XVIII, a cidade de São Paulo, abrangidos os subúrbios, tinha uma só freguesia, a da Sé, razão pela qual, a 15 de setembro, de 1796, foi decretada pela Rainha de Portugal, Dona Maria I, a sua tripartição com a criação de mais duas freguesias (paróquias): a de Nossa Senhora da Penha de França e a de Nossa Senhora do Ó, desmembradas da Freguesia de Nossa Senhora da Assunção da Sé.

Lembramos que a criação de freguesias ou paróquias no Brasil Colônia e Império era prerrogativa do poder real por força de bulas pontifícias que lhes davam extensos poderes na organização eclesiástica, sobre as dioceses e as paróquias, cabendo-lhes, em contrapartida, a obrigação de mantê-las e de coadjuvar a propagação da fé nas terras que lhes pertencessem. É o que denominamos de Padroado Régio.

A 05 de março de 1905, Dom José Camargo de Barros, o então bispo de São Paulo, entregou a Paróquia aos cuidados dos missionários redentoristas, a fim de que dessem à Penha a importância e o brilho que haviam conseguido para o Santuário de Aparecida.

Os padres redentoristas, assim, ficaram responsáveis por preparar o ambiente espiritual para que a Igreja da Penha se tornasse Santuário. Dessa forma, em 1909, Dom Duarte Leopoldo e Silva, 1º arcebispo de São Paulo, eleva a Matriz da Paróquia (chamada hoje, popularmente de “Igreja Velha da Penha”) à dignidade de Santuário Arquidiocesano, que foi o primeiro da cidade. 
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Santuário Nossa Senhora da Penha - 1910

As romarias, que já eram numerosas, aumentaram muito e eram organizadas por muitas paróquias de São Paulo e de outros municípios. Além disso, o número de romeiros e peregrinos que afluíam ao Santuário para implorar a proteção milagrosa de Nossa Senhora da Penha e cumprir suas promessas aos domingos cresceu enormemente. As novenas perpétuas de Nossa Senhora da Penha, às quartas-feiras, realizadas em horários variados, também atraíam milhares de devotos e contava com transmissão via rádio.  

No dia 15 de setembro de 1957 foi solenemente lançada por Dom Carlos de Vasconcelos Mota a pedra fundamental da nova e monumental igreja matriz, que se tornaria, mais tarde, a Basílica da Penha.
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Lançamento da pedra fundamental da nova igreja Matriz

Os padres redentoristas estiveram à frente da Paróquia da Penha até 1967, quando volta aos cuidados dos padres seculares da Arquidiocese de São Paulo à época.  

A seguir, a lista dos párocos da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, desde a sua criação:

1) Padre José Rodrigues Coelho (1802);
2) Padre Inácio Correia Leite (1833?);
3) Padre José Alves Dantas (1832 – 1842?);
4) Padre Bacharel Francisco das Chagas (1837 – 1842?);
5) Padre Inácio Pedroso Aveiros (1842 – 1843);
6) Frei Joaquim de Monte Carmelo (1843-1844);
7) Padre Antônio Benedito de Camargo (1844 – 1905);
8) Padre Lourenço Haubbauer (1905 – 1908);
9) Padre Martinho Forner (1908 – 1909);
10) Padre José Afonso Zartmann (1909 – 1912);
11) Padre Roberto Hansmaier (1912 – 1915);
12) Padre Antão Jorge Heckenbleinchenr (1915 – 1ª vez / 1924 – 2ª vez);
13) Padre Oscar Chagas de Azeredo (1917 – 1ª vez / 1933 – 2ª vez);
14) Padre José Sebastião Schwarzmeier (1918);
15) Padre Estêvão Maria Heigenhauser (1924 – 1ª vez / 1934 – 2ª vez);
16) Padre João Batista Kiermeier (1927 – 1ª vez / 1939 - 2ª vez);
17) Padre Tiago Klinger (1937 – 1939);
18) Padre Miguel Poce (1942 – 1ª vez / 1947 – 2ª vez);
19) Padre Antônio Macedo (1946 – 1947);
20) Padre Alexandre Morais (1950 – 1951);
21) Padre Antônio Schineider (1951 – 1953);
22) Padre Daniel Marti (1953 – 1957);
23) Padre José Augusto da Costa (1957 – 1961);
24) Padre Tarcísio Ariovaldo Amaral (1961 – 1963);
25) Padre Ibañes Camargo (1963 – 1966);
26) Padre José Benedito da Silva (1966);
27) Padre Noé Sotillo (1966);
28) Padre Waldemar Marques Conceição (1967 – 1972);
29) Cônego Rui Amaral Mello (1972 – 1974);
30) Monsenhor Carlos de Souza Calazans (1974 – 2017);
31) Padre Edilson de Souza Silva (2018 – atual).

A Comunidade Presbiteral da Penha encontra-se constituída atualmente assim: Padre Edilson de Souza Silva (pároco); Padre Diego Nascimento Silva (vigário paroquial) e Monsenhor Carlos de Souza Calazans (pároco emérito).

Após a criação da Diocese de São Miguel Paulista, em 1989, esteve localizado, por muitos anos, na área da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, o antigo Seminário Diocesano de Teologia, do qual era Padroeira.

Falemos, agora, um pouco sobre o bairro da Penha de França, lugar escolhido por morada pela Mãe do Senhor. Localizado na colina antigamente denominada Ururaí, entre as aldeias de Tatuapé, São Miguel e Guarulhos, próximo do Ribeirão Aricanduva, o pequeno povoado da Penha de França, distante 9km do centro de São Paulo, formado em torno da Capela que abrigava a milagrosa imagem da Virgem, era rota de passagem obrigatória para quem ia de São Paulo ao Rio de Janeiro ou às Minas Gerais. Em torno da igreja havia uma série de albergues e pontos de parada para tropeiros, viajantes, sertanistas, comerciantes e soldados. Com o tempo, o bairro se tornou também uma espécie de “Sanatório”, conhecido pelo clima agradável e ameno, propício para o tratamento, num passado distante, de doenças respiratórias. Famílias ricas da Cidade mudavam-se para a Penha em busca de saúde e melhor qualidade de vida.

Muitos dos devotos que visitavam o Santuário ou ali faziam paragem ofertavam donativos como forma de pagamento de promessas à Senhora: ouro, prata, terras, escravos, gado, imóveis, mantos e adornos para a imagem. Outros tantos desejavam ser sepultados na igreja de Nossa Senhora da Penha.

O grande deslocamento de romeiros para a Penha de França, que se dava, até então, a pé, por veículo próprio ou por uma linha de bondes de tração animal, principalmente por ocasião da Festa da Padroeira, foi uma das motivações principais para a construção do ramal ferroviário da Central do Brasil para a Guaiaúna em 1879.

Espalhados pelo bairro havia palacetes, várias casas de estilo colonial e capelinhas que perpetuavam locais de “milagres” ou de acidentes com morte de pessoas. Grande parte desse patrimônio histórico foi demolido devido à dinâmica do desenvolvimento urbano. Existe registro nos Livros de Tombo da Paróquia acerca de uma hoje extinta Capela de Santa Cruz na Ladeira da Penha, bem próxima do antigo Santuário. Ainda, um cruzeiro, também hoje inexistente, marcava o local exato do bárbaro assassinato do Padre João Batista Schauberguer, CSsR, ocorrido em 1908 onde hoje é a Avenida Celso Garcia.

Grandes personagens da História passaram pela Penha de França, tais como o Príncipe Regente Dom Pedro I, que chegou à Freguesia da Penha em 24 de agosto de 1822. Nessa ocasião, instalou o Paço de Nossa Senhora da Penha de França. Partiu, no dia seguinte, para a cidade de São Paulo, onde proclamou a Independência do Brasil. Esse fato está perpetuado por uma lápide disposta no adro da Basílica.
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Em 1886, Dom Pedro II veio a São Paulo e, juntamente com sua esposa, a Imperatriz Teresa Cristina Maria, visitara a Igreja da Penha.
Outra personalidade que passou pela Penha foi o Conde D’Eu, esposo da Princesa Isabel, que se hospedou no antigo Hotel América, que ficava próximo ao Santuário, em 15 de outubro de 1874.

Anos mais tarde, durante a Revolução Tenentista de 1924, a Penha chegou a funcionar como sede do Governo Paulista. Isso porque o presidente (governador) de São Paulo, Carlos de Campos, refugiou-se, na época da Revolução, na Penha, onde usava o Posto Policial do Largo do Rosário para despachar. 
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