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SÃO CIRILO E SÃO METÓDIO: Rogai por nós!

No dia 14 de fevereiro, a Igreja Católica Apostólica Romana celebra a memória de São Cirilo e de São Metódio, declarados pelo Papa João Paulo II, em 1980, como “Patronos da Europa”. Eu a ouvi na aula de História da Igreja Medieval, da professora mestre Maria Angélica Franco Moreira, no dia 9 de setembro de 2016, e me encantei pela coragem de ambos. Pouca gente conhece a história bonita e exemplar destes dois irmãos. Por isso, neste mês em que celebramos a memória deles, decidi contá-la.

Cirilo, nascido aproximadamente em 827, chamava-se Constantino, mudando seu nome antes de sua morte. Metódio, por sua vez, estima-se que nasceu em 825, vindo a falecer em 885. Eram irmãos, filhos de um governador do Império Romano Oriental, o que significava que tinham condições de estudar. Ambos nasceram em Tessalônica, cidade que ficava situada ao norte da Grécia e que tinha uma língua própria, chamada eslavo. Os irmãos, portanto, falavam dois idiomas: além do eslavo, conheciam bem o grego, língua oficial. Com o falecimento de seu pai em 841, os irmãos foram para Constantinopla, a fim de continuar os estudos. Na Academia Imperial, tornaram-se amigos de Fócio, um dos maiores intelectuais da época que, depois, foi eleito patriarca da Igreja de Constantinopla.

Metódio decidiu seguir a carreira do pai e se tornou governador de uma região chamada Macedônia. Constantino permaneceu nos seus estudos e, ao conclui-los, tornou-se professor, o que o fez ainda mais próximo de Fócio. Metódio, porém, no decorrer dos anos, desencantou-se com o fardo de ser funcionário imperial e decidiu entrar para o mosteiro, onde, depois, tornou-se abade.

Em 858, Fócio foi eleito patriarca de Constantinopla. Em 860, pediu aos irmãos que fizessem uma embaixada político-religiosa para, na verdade, fazer uma espécie de “propaganda” do Império nas áreas ainda não dominadas (ainda não era, aqui, com o intuito missionário). Os dois irmãos foram para Crimeia, onde moravam os cásaros. Ali, Constantino e Metódio descobriram que aquele povo tinha consigo os ossos de Clemente, um dos primeiros bispos da igreja de Roma. Imediatamente, recolheram as relíquias e levaram-nas para Constantinopla.

Em 862, porém, Fócio quis aproveitar melhor dos irmãos. Por isso, enviou-os como missionários para Morávia – onde hoje está a República Tcheca -, na qual morava um povo chamado eslavo. A escolha se deu, inclusive, pelo fato de os irmãos conhecerem bem o idioma. Chegando ao local, Constantino e Metódio constataram que o povo tinha uma língua, mas não uma escrita. Povo sem escrita é sinônimo da impossibilidade da registrar a sua história! Os irmãos, então, segundo consta, teriam criado uma escrita, a qual chamaram de glagolítica. Depois de codificá-la, ambos também decidiram traduzir alguns livros da Escritura e litúrgicos para essa escrita. Além disso, naquele tempo só se rezava missa em hebraico, grego ou latim – logo, o povo eslavo nada entendia. Constantino e Metódio decidiram celebrar a liturgia na língua eslava, já no século IX. Esse fato é marcante, se pensarmos que a celebração na língua de cada povo só foi sancionada no século XX, com o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965).

No entanto, alguns missionários latinos, de outras regiões próximas, denunciaram o fato ao bispo de Roma (=Papa). Em 867, ambos foram convocados para Roma, tendo chegado somente em 869, onde estava o Papa Adriano II (867-872). Os irmãos levaram de presente ao bispo de Roma as relíquias que haviam encontrado de São Clemente e, no fim, após explicar o trabalho de evangelização que faziam no local e a realidade que ali encontraram, tiveram o consentimento do Papa para prosseguir com a sua missão.

Constantino teria ficado doente em Roma e decidido entrar para a vida religiosa, quando seu nome passou a ser Cirilo, em 869. Conta-se que, ao se revestir das vestes da cerimônia, disse: “A partir de agora, já não sou servo nem do imperador nem de homem algum na terra, mas unicamente do Deus todo-poderoso. Eu não existia, mas agora existo e existirei para sempre. Amém”. 50 dias depois, no dia 14 de fevereiro daquele mesmo ano, com 42 anos de idade, Cirilo faleceu. O Sumo Pontífice ordenou que todos os gregos que estavam em Roma, juntamente aos romanos, se reunissem junto de seu corpo com velas acesas e cantando; e que suas exéquias fossem celebradas do mesmo modo como se celebram as do próprio Papa. E assim foi feito. Antes de morrer, Cirilo rezava:

“Senhor meu Deus, que criastes todos os anjos e os espíritos incorpóreos, estendestes o céu, fixastes a terra e formastes do nada todas as coisas que existem; vós que sempre ouvis aqueles que fazem vossa vontade, vos temem e observam vossos preceitos, atendei a minha oração e conservai na fidelidade o vosso rebanho, a cuja frente me colocastes, apesar de incompetente e indigno servo. Livrai-o da malícia ímpia e pagã dos que blasfemam contra vós; fazei crescer a vossa Igreja e a todos reuni na unidade. Tornai o povo perfeito, concorde na verdadeira fé e no reto testemunho; inspirai aos seus corações a palavra da vossa doutrina; porque é dom que vem de vós ter-nos escolhido para pregar o Evangelho de vosso Cristo, encorajando-nos a praticar as boas obras e a fazer o que é de vosso agrado. Aqueles que me destes, a vós entrego, porque são vossos; governai-os com vossa mão poderosa e protegei-os à sombra de vossas asas, para que todos louvem e glorifiquem o vosso nome, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém”.

Metódio, com a morte do irmão, retornou a Morávia. Ao chegar, fez uma nova mudança no código da língua e a denominou escrita cirílica, em homenagem ao irmão. Até hoje, essa escrita é usada na Sérvia, na Bulgária, na Ucrânia e na Rússia. Conta-se que Metódio sofreu muito por causa de pessoas invejosas, mas sempre teve o apoio dos Pontífices Romanos.

Ambos são venerados na Igreja Católica no dia 14 de fevereiro; na Igreja Ortodoxa, no dia 11 de maio. Os irmãos foram declarados pela Igreja como “apóstolos dos eslavos” e, em 1980, o Papa João Paulo II os proclamou, com São Bento, patronos da Europa. Cirilo e Metódio são altamente respeitados não só pela sua vida, mas principalmente pela sua árdua contribuição à cultura daqueles povos.
São Cirilo e São Metódio, rogai por nós e ajudai-nos a sermos fiéis ao Evangelho!

Pe. TIAGO COSMO da S. DIAS
Vigário Paroquial e Coordenador Diocesano da PASCOM

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